A notícia ganhou força nas últimas semanas: a 99 está investindo pesado na expansão da 99Food, começando por São Paulo e em breve no Rio de Janeiro. A promessa é bonita — descontos exclusivos, taxas menores para restaurantes e uma suposta preocupação com a “tríade perfeita”: consumidor, restaurante e entregador. Mas, na prática, há uma parte dessa tríade que continua esquecida: o entregador acidentado.
Enquanto a empresa cresce e diversifica — agora com entregas de comida, transporte de passageiros e entregas rápidas — o número de acidentes envolvendo entregadores aumenta. E quando o entregador tenta acionar o seguro da 99, o pesadelo começa: falta de retorno, processos travados e indenizações que demoram mais de um ano para serem pagas.
Diminuição do valor do seguro da 99
A partir de 1º de junho de 2025, a 99 reduziu o valor do seguro pago em caso de acidente: de R$100 mil para R$60 mil.
A prática já havia sido adotada pelo iFood no início do ano, e levanta uma pergunta incômoda — se o entregador é o elo mais vulnerável da operação, por que o valor da indenização caiu?
Em termos práticos, isso significa que o entregador acidentado durante uma entrega ou transporte de passageiro, que frature algo ou fique com sequelas permanentes, poderá receber no máximo R$60 mil. Uma quantia que, em muitos casos, não cobre nem os prejuízos com o afastamento do trabalho e o tratamento médico.
Descaso com as vítimas de acidente
Desde fevereiro de 2025, a Mais Indenizações, em parceria com a AMABR (Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil), vem denunciando a 99 por negligência no pagamento de indenizações de seguro.
O dossiê mostra que há mais de 40 processos parados, todos com prazo legal excedido. Em alguns casos, o atraso ultrapassa 300 dias, quando o retorno da seguradora deveria acontecer em até 30.
Um dos exemplos mais chocantes é o de uma passageira acidentada em janeiro de 2024, que esperou cinco meses por uma resposta e só recebeu o pagamento da indenização após oito meses.
Falta de responsabilidade e transparência
A 99 é a única responsável por comunicar o acidente à Ezze Seguradora, que gerencia o seguro dos entregadores e passageiros.
Ou seja, o próprio entregador ou passageiro acidentado não pode acionar a seguradora diretamente — e, se a 99 não reporta o caso, o processo simplesmente não anda.
Em uma audiência na Câmara Municipal, a Mais Indenizações e a vereadora Luana Alves (PSOL) levaram o tema à discussão pública, cobrando respostas da 99 sobre os casos parados. Até agora, a empresa evita o debate e sequer responde às reclamações no Reclame Aqui.
Uma luta que continua
Infelizmente, acionar a seguradora judicialmente ainda é o caminho mais comum para os entregadores e passageiros que sofreram acidentes durante o uso da plataforma. O que causa indignação é ver uma empresa que investe quase meio bilhão em novos serviços, mas não estrutura um atendimento digno para quem mais precisa: o trabalhador acidentado.
A Mais Indenizações segue firme nessa luta, enviando ofícios, movendo ações e buscando apoio político e social para pressionar a 99 a respeitar seus entregadores e pagar o seguro de acidente dentro do prazo — assim como já fazem aplicativos como iFood e Uber.
Se você é entregador ou passageiro que sofreu um acidente e ainda não teve retorno da 99, entre em contato conosco. Vamos lutar juntos para garantir seus direitos e o respeito que você merece.